Você que acompanha a novela “Império” (ou mesmo que lê o Coisas de Novela) deve saber como funciona a relação entre José Alfredo (Alexandre Nero) e Cora (Marjorie Estiano): ela sempre nutriu uma paixão quase doentia dele, se ofereceu ao Comendador diversas vezes sonhando em perder sua virgindade e, nos próximos capítulos, o protegerá de um tiro. Como ~agradecimento~, José Alfredo vai até o hospital, onde Cora está prestes a morrer, e realiza o sonho de sua vida transando com a megera (vamos guardar essa palavra?). Depois, Cora morre feliz.
Sabendo desse desenvolvimento, vamos aos fatos. A revista TV Brasil estampou em sua capa a seguinte manchete: “Zé Alfredo invade UTI, tira a roupa de Cora e transa com a megera”, que resume um pouco o que foi dito no parágrafo acima. Infelizmente, essa mesma manchete gerou uma má interpretação de algumas pessoas, que começaram a compartilhar no Facebook essa capa dizendo que a novela incita o estupro.
“O HOMEM invadiu a UTI e ESTUPROU a mulher enquanto ela estava inconsciente e ainda foi chamada de megera. Estupro como corretivo não né Globo” (texto que acompanha a foto da revista no post já compartilhado mais de 130 vezes).
Longe da gente querer defender a Globo só porque gostamos de novela, afinal não somos acionistas pra ficar defendendo uma empresa que já é bem grande, mas creio que rolou uma implicância quanto ao assunto (e vamos concordar que o número de pessoas que adora criticar novelas nas redes sociais por julgarem subcultura é bem grande).
Nada presente na cena, que será exibida em breve, indica um estupro do Comendador. Ele invadirá a UTI sim, mas Cora vai acordar e falar “Você veio me ver!”. Considerando que ela não está inconsciente e que o protagonista está fazendo algo que a personagem feminina tem vontade, não podemos chamar o sexo consensual de estupro, né? Pode ser inadequado em questões médicas (ela está quase morrendo), pode ser inadequado moralmente (ele é casado com Maria Marta e amante de Maria Ísis ainda), mas estupro não é.

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